15 dezembro, 2020

Manuscrito: Carta de Paulo Quintela a Artur Mirandela

Carta manuscrita e assinada de duas páginas, Paulo Quintela a Artur Mirandela, datada de Coimbra 26-IV-47. [Meu querido Artur Mirandela: Agora que cheguei ao fim dos agradecimentos a todos os que quiseram assinar a mensagem que tu leste em casa de minhas irmãs no dia 5 deste mês, chegou a ocasião de te agradecer a ti. Não o faço num simples cartão, por variadíssimas razões, a principal das quais é uma imperiosa necessidade do meu coração de te dizer, para que tu o possas comunicar a todos os meus queridos conterrâneos, quanto a vossa homenagem me comoveu e me comove ainda, principalmente poe ela ter saído do círculo de pessoas a que mais me sinto ligado pelas minhas raízes de filho de um operário que só tem um orgulho na vida - o da consciência e do culto da humildade da sua origem. As palavras que vós me dissestes tome-as eu, não como dirigidas a mim individualmente, mas som como exaltação das virtudes dos meus queridos Pais e como recompensa de todos os esforços e sacrifícios, deles e de meus irmãos, graças aos quais eu pude chegar onde cheguei. Aquilo que então disse repito-o hoje, já passada a onda de emoção que então me dominou: - Eu sou um operário, um proletário como vós todos; e no dia em que houvesse de esquecer-me desta minha condição , então me poderíeis chamar traidor. Desejo-vos todo o bem a que tendes direito; e na promoção desse bem e na conquista desse direito empregarei todo o esforço de que seja capaz. Bem hajais todo o vosso carinho que me justificou a meus próprios olhos.! No abraço que te mando abraço todos os que nesse dia quiseram testemunhar-me o seu bem-querer. Reu. do coração...].

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