15 dezembro, 2020

Manuscrito: Carta de Palmira Bastos

Carta manuscrita e assinada de 3 páginas, datada de 15 de Abril de 1942. [Meu caro amigo: Agradeço-lhe muito a sua amável carta que, até certo ponto para não deixar de ser franca, me surpreendeu, principiando pela palavra: consta! Mas, consta o quê e porquê, Santo Deus?!.. Durante a nossa conversa sobre o desempenho da Madrinha de Charly, manifestei eu porventura d'alguma maneira qualquer contrariedade? Não tenho a certeza!... Nem era possível, meu amigo. Conheço-o há muitos anos, sei que nunca seria capaz d'uma falta de cortezia para ninguem e muito menos para mim, tanto mais que estávamos em sua casa. Se no decorrer da conversa houve de facto qualquer dito da sua parte a meu respeito, nunca poderia ser senão uma simples brincadeira, e eu como tal o tomei. O único mal foi este: Não ri a tempo, pois se o tivesse feito, todos me teriam acompanhado, a sua intenção teria sido compreendida e tinha-se evitado o que deu causa a um mal entendido: O silêncio! Está provado que nem sempre é de ouro, não é verdade? Eu que me tenho na conta de saber sempre o que tenho a dizer e a fazer nas peças, não ataquei a deixa a tempo, desta vez! Não tenho desculpa. Não pense mais, no caso, meu querido amigo. Peço-lhe que acredite na grande sinceridade desta carta e na minha inalterável amizade e grande admiração.].

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